como eu te odeio, babaca

eu não tava preparada pra esse reencontro. meu coração parou e imediatamente voltou a bombear sangue depois de tantos anos. eu poderia ter corrido desenfreada quando te reconheci. mas meu corpo só ficou imóvel. do nervosismo saíram muitos sorrisos. custei responder o oi, a voz não quis sair. estendi a mão e não tava preparada pra um abraço, pra sentir seu cheiro. não tava preparada. fugi em determinado momento rezando pra que quando eu voltasse você tivesse desaparecido como em todos esses anos. mas você tava lá. minha meta foi só ingerir todo o álcool possível e esperar o efeito instantâneo de apagar tudo isso da minha mente. minha amiga me inspecionava e me lançava um olhar de pena. e como não poderia estar ruim o bastante, ela apareceu e era como se tivesse me golpeado um soco certeiro. cambaleei. é claro que vocês estariam juntos. voltei a me sentir a maior babaca do universo. tu elogiou meu sapato. eu não aguentei mais segurar o riso, agradeci e voltei pro meu propósito etílico. obviamente ela cutucaria a ferida mais uma vez. outro soco certeiro, outro riso nervoso. enquanto ele conversava eu só conseguia pensar: como pude me apaixonar por isso? e tentava elencar todos os seus defeitos pra me fazer lembrar o quanto eu o odeio. e ouvia você dizer mais uma vez sobre partir. outro soco. ela queria sentar com a gente e dividir a cerveja. tava em busca de um nocaute. e eu não conseguiria reagir, voltei a ser a otária de tantos anos atrás. mas o complexo de inferioridade dele me salvou quando percebeu que não era bem-vindo. foram embora.  como eu odeio ainda te amar dessa forma.

Comentários