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seus braços abertos sempre parecerão um porto seguro

andar de ré e invadir lugares que já não me cabem mais. vou sacudindo cadeados trancados das portas que eu saí e jurava ter deixado abertas. agora parecem minúsculas e distantes. consigo ouvir meus amores aos gritos com risadas deliciosas. parecia que eu tava subindo o everest esse tempo todo e quando olhei pra baixo era só uma esteira velha e pesada. meu cansaço me obriga a ficar estatelada. aceitei. vou ficar. mas imploro silêncio. nada de risadas. nada de pedidos de socorro. nada de portas utópicas e brilhantes. 

os dias passam e nada muda. digo que tô bem mas preciso de ajuda. nado contra a dor mas me afogo na culpa. vocês me ouvem mas ninguém me escuta..

que saudade de quem eu era. do que eu consegui ser um dia. muito longe do que idealizei pra mim, mas era alguma coisa. eu tô morta. tô envolta por tanto sentimento ruim e tanta negatividade que faz sentido todo mundo se afastar. eu caí. tô no fundo do poço, sem conseguir subir, sem mais força pra gritar, ninguém tá ouvindo e ninguém tá me ajudando.
bradei a quem quisesse ouvir aquela canção do cara abandonado com o coração destroçado assim como o meu. nossas vozes uníssonas mentiam que não me importava se estava morto ou vivo. puta que pariu, que dor. era como uma tentativa vã de pegar um vidro que escorregara das minhas mãos que em poucos segundos se quebraria em pedaços minúsculos.
eu reconheci todo meu ódio quando vi sua explosão por um instante saí da bolha e aceitei que tenho problemas assim como você o inferno é sempre o outro e é difícil me incluir nessa culpa tb preciso de ajuda tenho que organizar todo o meu eu encontrar o que tá perdido reparar o que precisa de conserto e arrancar o lixo que tá aqui dentro tá pesando esse fardo e ele tá quase me forçando a ficar pra trás isso eu não quero melhor parar, respirar e continuar a gente não termina por aqui

o menino foi a velho em 180km/h

meu peito é infestado de amor. ana, luiza, laura, julia, clara, lorena... sempre que eu conhecia a próxima era a melhor sensação do mundo, era fresco e devastador. parti mil corações pelo caminho. não era intencional, sempre foi maior que eu. minha guitarra ecoava mil músicas diferentes. amei desenfreado, até que o coração não aguentou e quis explodir. me deram 2 anos. 2 anos. tanto fdp com uma vida inteira. tanto fdp com uma vida inteira. TANTO FDP COM UMA VIDA INTEIRA. bukowski serviu. álcool, drogas e outros mil corações partidos. é assim que se morre um rockstar, não?! já são 4 anos, o coração só explodiu de arrependimento. a carne ainda permanece. os vultos que deixei pra trás agora alcançam esse coração cansado. o menino foi a velho em 180km/h. 

como eu te odeio, babaca

eu não tava preparada pra esse reencontro. meu coração parou e imediatamente voltou a bombear sangue depois de tantos anos. eu poderia ter corrido desenfreada quando te reconheci. mas meu corpo só ficou imóvel. do nervosismo saíram muitos sorrisos. custei responder o oi, a voz não quis sair. estendi a mão e não tava preparada pra um abraço, pra sentir seu cheiro. não tava preparada. fugi em determinado momento rezando pra que quando eu voltasse você tivesse desaparecido como em todos esses anos. mas você tava lá. minha meta foi só ingerir todo o álcool possível e esperar o efeito instantâneo de apagar tudo isso da minha mente. minha amiga me inspecionava e me lançava um olhar de pena. e como não poderia estar ruim o bastante, ela apareceu e era como se tivesse me golpeado um soco certeiro. cambaleei. é claro que vocês estariam juntos. voltei a me sentir a maior babaca do universo. tu elogiou meu sapato. eu não aguentei mais segurar o riso, agradeci e voltei pro meu propósito etílico....

fora dos trilhos

as pálpebras que se fecham cansadas com a sensação de pesar uma tonelada e o esforço mental para que tudo em volta desapareça não são suficientes pra me carregar pra uma outra dimensão. o único movimento é uma dor de cabeça insuportável que se alinha com a impotente dor no coração. nem os poemas mais otimistas, nem o   ΔS, nem a consciência da desigualdade me fazem contentar em "ficar pra trás". se é tudo uma bobagem descabida por que as coisas não ficam mais fáceis? por que é tão difícil digerir? por que essa sensação infernal vai e volta?