oito da manhã, uma hora de viagem. ele a observava pelos cantos dos olhos verdes e redondos. qualquer movimento que fosse, qualquer indício de empatia. os sessenta minutos pareciam durar apenas o tempo de um olhar mais elaborado. ele descia, ela ficava. outro dia ele in, ela out. postura ereta, dedos saltitantes que acompanhavam os graves escapulidos dos fones, roupa justa, cabelos longos mal penteados e óculos escuros até nos dias mais nublados. desdenhava desse mundo viajando em seu próprio universo. seu semblante afastava qualquer conversa fiada. ele descia na esperança utópica de que ela lhe acompanhasse. em cada esquina estava preparado para um encontro despretensioso, um sorriso correspondido. isso nunca aconteceu, pelo menos não fora dos seus sonhos.
Comentários
Postar um comentário